Nasdaq e S&P 500 Caem Quase 6% Com Avanço da Guerra Comercial; Ibovespa Tem Maior Recuo do Ano

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Diante do avanço da guerra comercial global, bolsas de valores pelo mundo recuaram nesta sexta-feira (4). Em Wall Street, os principais indicadores fecharam o dia no vermelho. As maiores queda foram registradas nos índices de Nasdaq (5,82%) e do S&P 500 (5,97%). Já o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano marcou 3,9943%, ante 4,055% registrado na quinta-feira (3). As bolsas na Europa e Ásia também tiveram decréscimos relevantes.

O Ibovespa não ficou de fora da sangria, fechando uma sequência de três semanas com mínimas. Inicialmente, o índice passou quase ileso ao anúncio de Trump, fechando a quinta-feira praticamente estável, enquanto o dólar e os rendimentos dos Treasuries sucumbiram e derrubaram as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs), algo que ajudou as ações sensíveis a juros. O cenário sexta-feira, em grande parte, foi causado pelo anúncio de tarifas retaliatórias por parte da China sobre produtos americanos. Algo que está fortalecendo os temores de forte desaceleração da economia global.

Ao fim do dia, o Ibovespa caiu 2,96%, a 127.256 pontos, tendo marcado 126.465,55 pontos na mínima, menor patamar desde 14 de março. No melhor momento do dia, registrou 131.139,05 pontos. Essa foi a maior queda percentual em um dia desde 18 de dezembro, quando o índice fechou com declínio de 3,15%. Dessa forma, o Ibovespa encerra esta semana com um declínio de 3,25%. Já o dólar termina o período com elevação de 1,31%, apesar do recuo anual estar acumulada em 5,52%. No encerramento do pregão desta sexta, a moeda registrou queda de 3,72%, cotada a R$ 5,8382. O forte declínio do petróleo foi outro fator que fortaleceu o dólar ante o real, já que o Brasil é exportador da commodity. No dia, o barril de Brent teve uma desvalorização de mais de 6%.

Na mesma moeda

Após ficar entre as economias que mais sofreram com as tarifas recíprocas anunciadas pelos EUA na quarta-feira (2), a China anunciou nesta sexta-feira medidas de retaliação, incluindo taxa adicional de 34% sobre produtos americanos.  Além disso, Pequim estabeleceu controles sobre a exportação de algumas terras raras — elementos químicos fundamentais para a indústria de tecnologia – e apresentou uma reclamação na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O movimento escala a guerra comercial deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para os economistas, essas ações veem afetando negativamente a atividade econômica global. O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que as novas tarifas de Trump são “maiores do que o esperado” e as consequências econômicas, incluindo inflação mais alta e crescimento mais lento, provavelmente também serão.

Para a equipe de pesquisa macroeconômica do Itaú, essa foi uma semana histórica para o comércio internacional, adicionando elevada incerteza aos mercados. Em relatório a clientes nesta sexta, os economistas do banco afirmaram que será importante acompanhar as decisões de retaliação pelas principais economias, que contribuem para elevar os riscos de uma desaceleração sincronizada entre países.

Economistas do JPMorgan escreveram em relatório a clientes ter “convicção suficiente” para afirmar que as tarifas norte-americanas elevam os riscos de recessão nos EUA e no mundo para 60%, ante um percentual de 40% estimado há um mês. O Goldman Sachs e a S&P Global também passaram a ver uma chance maior de recessão no país.

Destaques

– VALE ON recuou 3,99%, contaminada pelas preocupações com a economia global, em pregão com os mercados financeiros na China fechados por feriado. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON perdeu 6,58%, USIMINAS ON caiu 7,12% e GERDAU PN cedeu 4,84%. O Citi retomou a cobertura de Usiminas com recomendação neutra.

– PETROBRAS PN fechou negociada em baixa de 4,03%, conforme o petróleo voltou a desabar nesta sessão no exterior. O barril de Brent afundou 6,5%, a US$65,58. No setor de petróleo e gás, BRAVA ON desabou 12,92%, PRIO ON caiu 7,96%, com dados de produção também no radar, e PETRORECONCAVO ON perdeu 8,6%.

– ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 2,6%, com os bancos como um todo sucumbindo à aversão a risco generalizada. BRADESCO PN caiu 1,1%; BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,86% e SANTANDER BRASIL UNIT recuou 3,31%.

– CARREFOUR BRASIL ON disparou 10,77%, entre as poucas altas do Ibovespa na sessão, após o controlador, o grupo francês Carrefour, melhorar proposta para adquirir todas as ações em circulação da subsidiária brasileira, incluindo o aumento do valor em dinheiro que pagará por ação para R$8,50, de R$7,70 anteriormente.

– VAMOS ON caiu 9,92%, tendo também no radar relatório do JPMorgan que reiterou overweight, mas cortou o preço-alvo de R$10 para R$8,50. Os analistas enxergam melhoria sequencial do desempenho operacional entre os pontos positivos, mas citam desafios impostos pelo aumento dos custos de depreciação e queda sequencial das margens em veículos usados.

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