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O anúncio da aquisição do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília) vem agitando o mercado e causando certa inquietação entre os investidores, especialmente aqueles que possuem aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e outros produtos financeiros do Banco Master.
Se você investiu no Banco Master, provavelmente está se perguntando se seu dinheiro está seguro. Mas antes de tomar qualquer decisão precipitada, vamos entender o que essa transação realmente significa para o seu bolso.
Por que o BRB comprou o Banco Master?
O BRB, um banco controlado pelo Governo do Distrito Federal, informou que a aquisição do Banco Master faz parte de sua estratégia de expansão, aumentando a carteira de clientes e ampliando sua atuação no mercado financeiro.
Diante desse contexto, é importante entender a saúde financeira do Master e por que essa aquisição está sendo vista como necessária por boa parte do mercado.
Apesar de apresentar lucro desde 2020, o Banco Master enfrentava dificuldades para manter sua operação sustentável. Para captar recursos, precisou emitir dívidas a juros elevados, além de manter uma carteira de crédito de alto risco, que incluía precatórios e investimentos em empresas com perfil arriscado. Esse cenário gerou incertezas sobre sua capacidade de continuar operando normalmente.
Como solução, o BRB firmou um acordo para adquirir ativos selecionados do Banco Master. Isso inclui os CDBs emitidos pelo Master e pelo seu banco digital Will Bank. No entanto, produtos emitidos por subsidiárias, como o Banco Voiter e o Banco Master de Investimentos, não fazem parte da operação.
O valor da transação é de aproximadamente R$ 2 bilhões, a serem pagos ao longo de até seis anos. No entanto, o acordo ainda depende da aprovação do Banco Central, que tem até 360 dias para analisar o caso. O mercado, porém, espera uma decisão mais rápida.
Meus investimentos no Banco Master estão seguros?
A principal preocupação dos investidores reside na continuidade e segurança de seus investimentos. Então, é importante esclarecer alguns pontos:
• Assunção de Obrigações: em processos de aquisição, é comum que a instituição compradora assuma os passivos e ativos da empresa adquirida. No entanto, o BRB selecionou apenas os ativos do Banco Master considerados mais saudáveis, portanto, caso seus investimentos no Master não estejam incluídos, por enquanto é necessário aguardar os próximos comunicados para entender como a questão será tratada pelo Banco Central junto às instituições.
• Risco de Insolvência: pelo menos até o momento, não há indícios de que o Banco Master esteja enfrentando problemas de solvência que possam levar a uma intervenção do Banco Central. Segundo os CEOs do BRB e do Master, a operação é uma aquisição estratégica, e não um resgate emergencial, o que sugere um ambiente mais controlado para a transação.
• Ações Recomendadas aos Investidores: Não há necessidade de medidas precipitadas neste momento. Minha recomendação é que você siga acompanhando as informações oficiais fornecidas pelo Banco Master e pelo BRB para entender os próximos passos da fusão e como eles podem afetar seus investimentos.
Tomar medidas neste momento, no calor dos acontecimentos e sem informações precisas, é uma precipitação que pode causar prejuízo desnecessário. Se seus investimentos estão dentro dos limites de cobertura do FGC, há uma camada adicional de segurança.
Vantagens e riscos da aquisição do Banco Master
A aquisição de ativos do Banco Master pelo BRB não indica, necessariamente, um risco iminente para os investidores. Pelo contrário, a entrada de uma instituição pública pode trazer fortalecimento institucional.
O BRB é um banco sólido, estatal e com rating melhor que o Master. Isso aumenta a chance de que os compromissos financeiros sejam honrados sem necessidade de intervenção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Com o Master sendo incorporado ao BRB, a tendência é que os contratos sejam mantidos e os investidores continuem recebendo normalmente. No entanto, a transação ainda está sendo formalizada, portanto, não podemos descartar o risco de eventuais mudanças nas condições dos produtos financeiros, algo que só saberemos ao longo dos próximos meses.
O FGC tem dinheiro suficiente para cobrir todo mundo?
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi criado para proteger investidores e garantir estabilidade ao sistema financeiro. Atualmente, o FGC tem aproximadamente 120 bilhões de reais em caixa e, historicamente, sempre honrou os pagamentos em casos de intervenção bancária.
Sendo assim, apesar do passivo do Banco Master representar algo em torno de 50% dos recursos do FGC, pelo menos por enquanto, não dá para afirmar que haja um risco sistêmico.
No entanto, vale reforçar: o FGC tem um limite de R$ 250 mil por CPF, por instituição e por conglomerado. Quem investiu valores acima desse limite está exposto a um risco maior, se por algum motivo o BRB não assumir as dívidas do Master.
O que o investidor do Banco Master deve fazer agora?
Por enquanto não é necessário fazer nada além de acompanhar as comunicações oficiais emitidas pelas duas instituições e também pelo Banco Central.
Essa transação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores, como o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e pode levar até 360 dias. Conforme o processo avançar, informações atualizadas serão divulgadas.
A diversificação é sua melhor amiga
Casos como este são emblemáticos para reforçar aquilo que, nós, educadores financeiros dizemos o tempo todo: diversificação nos investimentos é sua melhor proteção. Depender de um único banco ou produto financeiro aumenta muito sua exposição a riscos inesperados, como crises de liquidez ou mudanças institucionais.
A compra do Banco Master pelo BRB mostra que o sistema financeiro tem mecanismos para mitigar problemas, mas também ressalta a importância de estratégias que reduzam a vulnerabilidade do investidor. Distribuir recursos entre diferentes bancos, ativos e prazos é a maneira mais eficaz de garantir segurança e tranquilidade, independentemente dos movimentos do mercado.
*Eduardo Mira é investidor profissional, analista CNPI, mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira, empresário, sócio do Clube FII, Grana Capital e sócio fundador da holding financeira MR4 Participações.
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