Arte Brasileira na Maior Pesquisa do Setor

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Até domingo, 6 de abril, as principais galerias do mercado nacional de arte participam da SP-Arte, evento anual mais importante do setor desde 2005. Mas abro o mês com outro passo significativo: a conclusão da 7ª Edição da Pesquisa Setorial sobre o Mercado de Artes Visuais no Brasil. Tendo em vista aumentar a internacionalização e as exportações da arte brasileira, o projeto da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT), que reúne as melhores galerias nacionais, é o resultado dos esforços conjuntos da agência nacional de exportação, ApexBrasil, da plataforma de arte, Latitude Brasil, e da Act Arte, especializada em pesquisas e projetos culturais.

Com 87 páginas, a pesquisa possui duas versões, em português e inglês, e é a mais minuciosa e abrangente jamais conduzida na grande malha do mercado de arte brasileiro. Executada ao longo de 2024, o estudo refere-se ao exercício de 2023, com informações fornecidas por 45 profissionais e 76 galerias de norte a sul. Artistas, colecionadores, consultores, curadores, e representantes de feiras e casas de leilão forneceram dados que constituem os pilares da área, indicando as tendencias do nosso mercado e apontando os gargalos como a burocracia complexa e custos logísticos elevados. A pesquisa foi feita durante o mandato de Victoria Zuffo na presidência da ABACT, que termina em maio, sócia de Paulo Kassab Jr. na Galeria Lume em São Paulo, especializada em arte contemporânea.

As informações amealhadas também servem de base para pleitos junto ao governo, a exemplo da atuação do Coletivo 215, formado por representantes do setor cultural, que articulou junto ao Congresso Nacional a aprovação da Emenda 477 à Reforma Tributária, conforme nosso diretor Alexandre Roesler e tesoureiro da ABACT, escreveu aqui na Forbes Online sob o título “Arte e Reforma Tributária: o Que nos Espera?”, em 05/12/24.

Desde a última pesquisa, conduzida em 2018, o setor passou por mudanças ocasionadas pela digitalização das operações das galerias e pelo aumento da participação em feiras internacionais.

Cortesia Galeria Nara Roesler

Carlito Carvalhosa (1961-2021), Sem título, 2015, óleo sobre alumínio

Principais resultados:

– Em 2023, o mercado de arte no Brasil alcançou um valor total estimado de cerca de R$ 2,9 bilhões (USD 580 milhões), um crescimento de 21% em relação ao ano anterior. Mas esse resultado ainda permanece 1,5% abaixo do valor pré-pandêmico de 2019.

– O mercado nacional corresponde a 0,89% do total global.

– Nosso mercado depende majoritariamente de compradores locais, com uma média de 77% de suas vendas para esse público. Por outro lado, o aumento de 24% no valor das exportações em 2023 indica uma expansão no mercado externo.

– Cinco países correspondem a 90% dos destinos de todas as exportações de arte a partir do Brasil: EUA, Inglaterra, França, Suíça e Bélgica.

– Em 2023, o valor geral de vendas anuais de 58% das galerias foi de até R$ 5 milhões.

– Custos com participação em feiras de arte e folha de pagamento representam conjuntamente 48% das despesas médias das galerias, com 25% e 23%, respectivamente.

– As feiras de arte são fundamental para as galerias. Em 2024, somente 3% não participou em alguma feira no país, e 29% não participou em feiras no exterior.

– Cada galeria representa, em média, 27 artistas.

– Os três artistas mais vendidos pelas galerias correspondem a uma média de 51% de suas receitas.

– Para a maioria das galerias brasileiras, seu artista mais vendido contribui com cerca de 25% do total de suas vendas.

Flavio Freire/Cortesia Galeria Nara Roesler

Marina Camargo, Mapa-mole I, 2019, recorte em borracha, 160x140x20cm

– A representação de artistas por gênero apresenta predominância masculina. Dos artistas representados, 63% são homens, 35% são mulheres e 2% se identificam como gênero não binário.

– Obras de arte de até R$ 50 mil representam 59% das receitas das galerias. Apenas 9% do valor geral de vendas delas foram de obras acima de R$ 300 mil.

– Em média, as galerias organizam 7 exposições ao ano.

– 54% das galerias possuem mais de uma década de atuação.

– 82% das galerias indicam que trabalham principalmente com arte contemporânea.

– 58% das galerias atuam exclusivamente no mercado primário. Apenas 7% indicaram atuar apenas no mercado secundário.

– O mercado de arte brasileiro é dominado pela pintura e escultura. Outras mídias, como papel e fotografia, tem relevância em nichos especializados.

– A pintura é a categoria dominante nas vendas no país, com uma média de 56% do valor total de vendas. Algumas galerias dependem exclusivamente dessa categoria, com 100% de suas receitas provenientes dela, refletindo tendências semelhantes às observadas globalmente.

– Embora nosso mercado de arte tenha registrado aumento de 21% entre 2022 e 2023, o volume de obras vendidas manteve-se estável, com uma média de 142 obras por galeria em 2022, e 141 obras em 2023. Isso indica que a demanda por obras de arte permaneceu consistente enquanto o valor delas aumentou.

– Outro ponto que vem à luz: a barreira linguística. “A ausência de fluência no inglês por parte de muitos artistas e profissionais do setor de arte brasileiro constitui um entrave significativo para a internacionalização da arte nacional”, diz o estudo constantando a dificuldade de comunicação de nossos profissionais com galerias, instituições, curadores e colecionadores de fora. Além disso, a falta de materiais traduzidos e corretamente adaptados ao público estrangeiro (portfólios, sites e releases, etc.) tornam a arte brasileira menos acessível aos agentes globais.

Flavio Freire/Cortesia Galeria Nara Roesler

Paulo Nazareth, Sem título (Ponto branco sobre concreto), sem data, concreto, 16x41cm

Muitas vezes me perguntam quais galerias brasileiras possuem filiais no exterior. Atualmente, cinco:  Fortes D’Aloia & Gabriel (sede em São Paulo, com filial no Rio, e no exterior em Lisboa); Martins&Montero (sede em São Paulo e filial em Bruxelas); Mendes Wood DM (sede em São Paulo e filiais em Bruxelas, Paris e Nova York); Zielinsky, a mais nova do grupo, que fez o trajeto inverso, antes fundou a sede em Barcelona, para depois, em 2024, abrir a filial em São Paulo; e a nossa em três cidades, sede em São Paulo, filial no Rio, e no exterior, em Nova York.

(Fonte 7ª Edição da Pesquisa Setorial sobre o Mercado de Artes Visuais no Brasil)

SERVIÇO

A 7ª Edição da Pesquisa Setorial sobre o Mercado de Artes Visuais no Brasil é gratuita nas versões em português e inglês, no link:

https://latitudebrasil.com/wp-content/uploads/2025/02/250122-Act-PesquisaSetorial2024-Resumo-Executivo.pdf

ABACT

https://abact.com.br/

ApexBrasil

https://apexbrasil.com.br/

Latitude Brasil

https://latitudebrasil.com/

Act Arte

https://actarte.com

Com colaboração de Cynthia Garcia, historiadora de arte, premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) cynthiagarciabr@gmail.com

Nara Roesler fundou a Galeria Nara Roesler em 1989. Com a sociedade de seus filhos Alexandre e Daniel, a galeria em São Paulo, uma das mais expressivas do mercado, ampliou a atuação inaugurando no Rio de Janeiro, em 2014, e no ano seguinte em Nova York.

info@nararoesler.art
Instagram: @galerianararoesler
http://www.nararoesler.com.br/

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