Da Take Phone à Blip: a Jornada de Inovação e Expansão Global

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A trajetória da Blip teve início em 1997, quando Roberto Oliveira, Daniel Costa e Antônio Oliveira abriram o quiosque Take Phone no campus da UFMG, especializado em celulares. Com o sucesso inicial, expandiram o negócio para uma assistência técnica autorizada da NOKIA, chegando a consertar 20 mil telefones em um único mês. Esse marco foi apenas o começo de uma jornada empreendedora voltada para inovação. O grande impulso veio com a chegada da tecnologia WAP, que permitiu a introdução da internet nos celulares, levando os sócios a fundar a Take.net, pioneira em serviços de valor agregado para telefonia móvel no Brasil. Nesse processo, se uniram aos sócios Marcelo Oliveira e Sérgio Passos, desenvolvendo produtos inovadores, como a plataforma de compra de ringtones via SMS, o Ring Ring.

O começo da Blip, na época chamada de Take Phone, foi marcado por um investimento inicial de apenas R$ 1.500,00, que cobria o aluguel de um mês do quiosque. O fluxo de caixa gerado pelo negócio foi constantemente reinvestido para o crescimento da empresa. Ao longo dos anos, a Blip seguiu sua jornada bootstrap, sem recorrer a investimentos externos nos primeiros anos. 

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Os desafios foram significativos. Um dos maiores obstáculos foi desenvolver um produto que realmente atendesse ao mercado. Para isso, a Blip validou a ideia de oferecer ringtones e apostou pesado no desenvolvimento dessa solução, investindo R$ 1,5 milhão. Além disso, o desafio de monetizar esse produto também foi uma grande barreira no início da operação. Em 2005, a empresa chegou a ser vendida para um grupo japonês, mas acabou sendo recomprada pelos sócios-fundadores pouco tempo depois, em 2008, por um valor mais baixo. 

A evolução da empresa não parou por aí. Em 2014, a Blip iniciou o desenvolvimento de sua plataforma voltada para a solução de contatos inteligentes para empresas, e desde então tem evoluído constantemente, integrando novas tecnologias, como o ChatGPT. Com o tempo, a Blip se consolidou no mercado, recebendo três grandes aportes que somaram US$ 230 milhões, e expandiu internacionalmente, com destaque para a entrada no mercado mexicano em 2023.

Os primeiros investimentos externos começaram em 2020, quando a Blip recebeu US$ 100 milhões em uma rodada Série A, liderada pela Warburg Pincus. Na época, esse foi o maior aporte Série A da história do Brasil. Em 2022, a Blip recebeu US$ 70 milhões na Série B, também do Warburg Pincus, e em 2024, levantou US$ 60 milhões na Série C, liderada pelo SoftBank e com a participação da Microsoft. Esses recursos são destinados a acelerar a expansão internacional e continuar o desenvolvimento de novos produtos, especialmente com o uso de IA.

Foto: Divulgação

Daniel Costa, um dos fundadores da Take Phone, que agora é Blip

Um marco importante na trajetória da Blip foi atingir o breakeven em 2023. Com isso, a Blip se consolidou como uma empresa “camelo”, termo utilizado para descrever empresas que geram caixa de maneira constante. Esse momento foi resultado de muito esforço, e a empresa já começou a colher os frutos de uma operação equilibrada financeiramente. Roberto Oliveira, CEO e um dos fundadores, ressalta que a vantagem da Blip é que seu mercado é praticamente infinito. Ele acredita que todas as empresas do mundo precisarão de um contato inteligente, e a Blip está focada em oferecer isso de maneira inovadora e acessível.

A Blip sempre esteve atenta às necessidades do mercado e buscou solucionar uma dor recorrente para marcas de todos os tamanhos: como otimizar o atendimento, engajamento e vendas aos seus clientes, aproveitando o poder das plataformas de mensageria associadas à inteligência artificial. Por meio de soluções práticas e eficientes, a empresa conecta as marcas ao seu público via aplicativos como WhatsApp, Instagram, Messenger, RCS, Apple,  entre outros. “O futuro das marcas está em fornecer a melhor experiência possível para os consumidores. E, cada vez mais, isso ocorre por meio dos apps conversacionais, que tornam a interação com os clientes mais eficiente e personalizada”, comenta Roberto.

O crescimento da startup trouxe consigo outras dificuldades, como a necessidade de contratar as pessoas certas, preservar a cultura organizacional, gerir o fluxo de caixa de forma eficiente e manter a estabilidade do produto. No entanto, ao longo da jornada, a Blip contou com o apoio da Endeavor, que desempenhou um papel importante, especialmente no processo de internacionalização. A rede global da Endeavor tem sido essencial para ajudá-los na expansão para mercados como a Europa, América Latina, Estados Unidos e Oriente Médio. Roberto relembra que foi através da Endeavor que a Blip se conectou com Paulo Veras, cofundador do 99, que os orientou na contratação do Lazard como advisor em sua primeira rodada de investimentos, além de conhecerem o Marcelo Hein, atual CFO, que trouxe para a Blip um conhecimento robusto para realizar captações.

Em 2025, a Blip continua focada em fortalecer sua presença internacional, com presença no México e na  Península Ibérica, com destaque para a Espanha, onde a adoção de WhatsApp vem crescendo significativamente. A aquisição da GUS, empresa mexicana do setor conversacional, será um impulsionador na região. O CEO ainda acrescenta que o próximo passo será a expansão para outros países da Europa. “O mercado global de tecnologia, inovação e comunicação está em constante evolução, e estamos sempre acompanhando essas mudanças, oferecendo soluções inovadoras com foco no cliente”, finaliza.

A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.

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